14 Nov 2011

Filtro Solares Asiáticos - Parte II

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Na primeira parte da resenha, eu comentei sobre a proteção dos filtros asiáticos usando como referência propagandas relacionadas para mostrar a pele intacta das asiáticas no sol. Contrapondo, usei propagandas européias, na qual nossos filtros também se baseiam, com modelos bronzeados. Hoje, vamos falar de um filtro físico muito utilizado nos protetores asiáticos: óxido de zinco.

Óxido de zinco é uma partícula mineral – ou inorgânica – que é usada em fotoproteção há algumas décadas (final da década 80). É costumeiramente encontrado tanto em filtros 100% físicos - que contenham tanto óxido de zinco quanto outro filtro físico, dióxido de titânio, na sua fórmula – quanto em filtros que usem tanto físicos quanto químicos. Eu poderia citar, como exemplos, o Skinceuticals Sheer Physical UV Defense SPF 50, um filtro 100% mineral e o Anthelios FPS 60 como um filtro “misto”.  Filtros como o Sofina Jenne SPF 50+ são de categorias quase totalmente físicos, porque tem uma quantidade alta de filtros minerais e dois filtros químicos

Algumas observações que eu poderia comentar sobre os filtros físicos:

1- Forma de atuação:

O meio de atuação desses ingredientes minerais é criar uma barreira física (por isso o nome) para refletir e dispersar os raios solares para longe da pele. Enquanto que os filtros químicos (orgânicos) atuam absorvendo os raios UV e dissolvendo os seus danos antes de penetrar na pele. Mas entenda, este (químicos) permitem que a pele receba os raios e alguns filtros químicos deixam passar raios UV-A. Pode-se citar que filtros como benzofenona 3 tem alta absorção na pele, sendo alvo de criticas por seu potencial alérgico e risco disfunção hormonal. Por outro lado, os filtros inorgânicos têm baixíssima permeação cutânea, o que confere uma proteção mais segura à pele.

Chemical-filters
Physical-filters

Para quem passa o dia todo diante do computador ou debaixo de luzes florescentes, filtros físicos são as únicas barreiras capazes de proteger contra a luz visível, conforme estudos publicados pela revista "Photochemistry and Photobiology”, em 2009. Conforme também afirmar o dermatologista Sérgio Schalka, membro da diretoria da regional paulista da Sociedade Brasileira de Dermatologia  numa matéria para a "Folha de Sao Paulo":

“A maioria dos protetores solares no mercado protege apenas contra os raios ultravioleta. A luz visível só pode ser bloqueada com filtros solares físicos (bases, por exemplo). "As pessoas costumam se preocupar com os raios UVA e UVB, mas ninguém se preocupa com a luz visível. Esses novos trabalhos explicam a razão pela qual muitas pessoas apresentam melasmas [manchas acastanhadas na pele] mesmo usando protetor solar."

2 – Fotoestabilidade:

O filtro mineral óxido de zinco é o mais efetivo em termos de proteção contra os raios UV-A e UV-B. No gráfico abaixo, de acordo com o FDA, pode-se observar a grau de proteção dele em comparação com os outros filtros solares utilizados no mercado, inclusive para raios UVA curtos e longos. Ele entraria numa categoria de filtro fotoestável UV-A/ UV-B:

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Filtro fotoestável é aquele que continua ativo na pele diante da luz, mesmo após longos períodos de exposição solar, sem perder sua capacidade fotoprotetora.  O termo passou a fazer parte do glossário de fotoproteção de uma década para cá, quando verificou-se que os filtros no mercado não respondiam ao grau de proteção UV-A e tornavam-se ineficazes após tempo de exposição. Eu também acrescentaria que os filtros minerais não saem da pele sem retirá-los, então, isso confere também mais estabilidade e proteção imediata.

3 – Sensibilidade

Outra característica que eu poderia destacar é o grau de sensibilidade dos filtros minerais na pele: enquanto que alguns filtros químicos podem irritar e causar alergias (em especial  avobenzonabenzofenona), os filtros minerais causam menos sensibilidade (na verdade, eu nem digo que é grau de sensibilidade zero porque não tem como prever isso em todos os tipos de pele) e são mais indicados para peles sensíveis. Uma prova disso é que eles são os filtros mais encontrados em fórmulas para bebês (filtros para bebês e crianças são 100% físicos em sua maioria). A famosa pasta para assaduras de bebês Hipoglós também leva óxido de zinco.

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Gestantes, peles sensibilizadas por ácidos, laser e agentes despigmentantes, peles sensíveis e com rosácea, são outros tipos que podem se beneficiar com estes ingredientes.

Duas grandes dermatologistas americanas, Dra. Leslia Baumann e Dra. Cynthia Bailey recomendam o uso diário de filtros solares com ingredientes minerais. A Dra. Baumann aplica uma camada de filtro mineral por cima do seu filtro habitual (sim, dois filtros!) para exposições prolongadas ao sol e indica filtros assim para quem tem a pele sensível, oleosa ou com tendência à acne. Enquanto que a Dra Bailey recomenda que se tenha, no mínimo, 5% de óxido de zinco entre os ingredientes de um bom protetor solar. A Dra. Bailey ainda nos informa que:

“..... apenas óxido de zinco micronizado consegue bloquear toda a extensão da onda dos raios UV-A, ou seja, bloqueia todos os raios UVA prejudiciais. Quaisquer outros ingredientes dos bloqueadores solares chegam somente perto de bloquear toda a onda UV-A.  Além disso, o óxido de zinco micronizado fica estabilizado na embalagem mesmo depois de aberta, continua estabilizado na sua pele quando exposta ao sol e não é absorvida pelo organismo...”

Porém, gostaria de acrescentar que nos EUA, filtros estáveis como Mexoryl XL e Tinosorb M e Tinosorb S ainda não foram aprovados pelo FDA (apenas o Mexoryl SX), logo, óxido de zinco é a melhor garantia de proteção estável para eles.

4 – Textura:

Em termos de textura, os filtros físicos são mais secos. O óxido de zinco poderia até entrar numa categoria de adstringente, pois a barreia que ele produz na pele ajuda a segurar o brilho. Em contrapartida, os químicos são mais transparentes e contém ingredientes a base de oleosos. Por isso, é comum nos desapontarmos com fórmulas que se dizem leves ou “oil free” e tornar a pele oleosa após o uso. Principalmente por que é necessário aplicar grandes quantidades de filtro para obter proteção eficiente. Além do mais, a maioria das empresas usam fórmulas com filtros químicos e pouco – ou não usam – filtros físicos.

Mas como observamos, se os filtros minerais parecem ser mais adequados para proteção solar – eu diria a combinação de filtros minerais com filtros químicos fotoestaveis UV-A/ UV-B é a melhor - por que nem todos usam estes ingredientes? A cosmética dos filtros inorgânicos não era bem tolerável esteticamente na pele. – e até hoje alguns não são - dependendo do tipo de partícula do filtro mineral usado.

Por serem minerais espessos, criam uma camada com resididos brancos, dando o efeito “white cast”, similar ao efeito da pasta d’água usada por surfistas (que leva grande quantidade de óxido de zinco). O mais comum é “mascarar” os pigmentos os tingido com algum tom. Desta forma, eles são encontrados preferencialmente em filtros com base e pós faciais. Aliás, pós compactos levam filtros minerais e alguns, mesmo que não tendo fotoproteção, usam óxido de ferro - corantes que também refletem a luz solar, mas não entram na categoria de filtros minerais.

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Eu já usei vários tipos de filtros solares, entre eles, alguns com poucas concentrações de ingredientes físicos e mesmo assim, sentia a pele esbranquiçada. O Anthelios FPS 60, sem cor, deixa meu rosto pesado, mesmo a minha pele sendo clara.

Só que, com o tempo, novas partículas de filtros minerais foram criadas, reduzindo-as de forma a criar um véu transparente sobre a pele. A Shiseido e a Kao foram as pioneiras em criar micro-partículas de filtros minerais, nos anos 90. Só que eram filtros dispendiosos para se adquirir naquela época. Hoje, encontramos esses ingredientes em muitos outros filtros e inclusive, as “nano-partículas”, ainda mais suaves em transparências e formuladas em texturas leves e fluidas – comparada com as loções grossas do passado - onde até pessoas com tom de pele mais escuro conseguem usar

Empresa como a Kao Corporation conseguiu reduzir tanto as partículas minerais que são possíveis usar filtros com até 20% de óxido de zinco e não sentir contrate na pele, mesmo ao reaplicar. Isto é incrível, digo por experiência, porque já testei vários filtros disponíveis no mercado, como Adcos, Anthelios, Avène, e com menos de 4% de filtro mineral já deixava “white cast”. Fora relatos que eu recebo de outros filtros, como da linha mineral da Skincelticals ou EltaMD, onde usuários aprovam, mas deixam escapar que você tem que aplicar pouca quantidade e não reaplicar para não ter “white cast”. Oras, então não são adequando, não acham?

Mas os filtros da Sofina, Allie, Kosé, e Shiseido, com altas concentrações, espalham muito bem, sem deixar resíduos brancos, além da textura impecável e toque seco. O óxido de zinco é um ingrediente-chave em se tratando de protetores asiáticos, embora também encontramos filtros como: tinosorb S, uvinul A plus, octocrileno, eusolex, parsol slx, entre outros.

Advan UV-barrier: a berreia efetiva contra os raios UV-A/B

Os filtros minerais da Kao passaram por um novo processo – aliás foram vários até chegar na nova tecnologia, em 2009 - onde a empresa conseguiu aperfeiçoar ainda mais as partículas de óxido de zinco, reduzindo-as em 20% mais finas, criando flocos para criar uma barreira na pele e refletir os raios ou até mesmo bloqueá-los.

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Os estudos realizados pela empresa garantem que a nova tecnologia chamada de Advan UV-barrier melhorou ainda mais a eficácia do óxido de zinco para proteger, principalmente, contra os raios UV-A longos, responsáveis por penetrar mais profundamente na pele e danificar a elasticidade da pele. Com toque mais liso e maior transparência na pele, esta tecnologia proporciona suavidade ao ser aplicado e cobrindo de forma perfeita.  A sensação é de um manto invisível revestindo a pele que tem estrutura até de repelir a água quando em contato com a pele.

Isso explica por que os filtros asiáticos com ativos inorgânicos têm uma textura tão boa que nem uma grande empresa como a LÓréal conseguiu (ainda) obter. A tecnologia Advan UV-barrier pode ser encontrada nas linhas de filtros Sofina Jenne e Sofina Beauté:

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Eu não sei quanto a você, mas depois de saber de todos os benefícios do óxido de zinco, ele se tornou meu ingrediente número 1 em termos de proteção, não desmerecendo filtros como Tinosorb M, que tem dupla atuação (absorve e reflete os raios), mas eu me sinto plenamente seguro com o óxido de zinco na minha pele quando estou exposto ao sol. Claro, como qualquer outro filtro, deve-ser aplicar a quantidade correta para ter a proteção máxima indicada no rótulo. Mas isso fica para uma próxima resenha.

E você já usou um filtro mineral que nao deu "white cast"? Conte-me!

Esta semana eu publicarei meus testes com dois filtros da marca Anessa: Perfect UV Sunscreaem SPF 50+ e Perfect Essence Sunscreem SPF 50+, aguardem! 

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- Observação:

- Para quem quiser se beneficar a proteção dos filtros minerais, uma recomendação importante: faça uma boa limpeza na hora de retirar estes filtros.

Como eles são formado por micro-partículas físicas, podem obstruir os poros e causar acne se não forem adequadamente retiradas da pele. Na verdade, é a mesma recomendação para quem usa bases e pós faciais. Digo até de filtros como Minesol, deveria ser o mesmo cuidado. Não vejo isso como problema, mas priorize o uso de óleos removedores ou demaquilantes nos seus cuidados de limpeza.