18 Nov 2011

Filtros Solares Asiáticos - Parte III

Concluído meus posts sobre filtros solares asiáticos (aqui e aqui), irei comentar sobre alguns pontos que podem gerar dúvidas no consumidor.

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Fator de Proteção Solar UV-B - FPS/ SPF:

No Japão, qualquer filtro solar que tenha fator de proteção superior a 50, ele vem assinalado com um sinal de “mais” (+). Esta regra é para que o consumidor não tenha a falsa impressão que usando um filtro, por exemplo FPS 80, ele vai estar mais protegido que usando um FPS 50, pois a diferença é mínima tecnicamente.  Sem contar que o apelo de usar um FPS muito alto pode gerar no consumidor a ideia que ele pode se expor mais demasiadamente ao sol. Lembrandoq eu nenhum protetor solar, mesmo com fator acima de 100, protege 100% da radiação solar.

O filtro pode até ter ingredientes com concentração alta que o elevaria a um FPS 80 ou maior que isso, mas ele continuaria subscrito como FPS50 +. Assim, por regra, um filtro solar Anthelios SFP 60 comercializado no Japão tem a seguinte nomenclatura Anthelios SPF 50+

Mas para melhor compreensão, vou citar um exemplo que um amigo me passou: filtro Sunplay Superblock, da Mentholatum. O produto fabricado no Japão é SFP 50+, mas em Singapura ele é comercialziado como SPF 130:

Sp

Esta regra de usar um sinal (+) para filtros superiores a 50 é adotada pelo Japão há bastante tempo e pode ser encontrada também na Europa. Nos Estados Unidos, o FDA (Food and Drug Administration), órgão responsável pela regulamentação de alimentos e medicamentos, fará modificações nas regras para vendas dos filtros solares. A medida deve ser adotada também para os países do Mercosul. Com isso, filtros solares acima de FPS 50 serão rotulados com a indicação FPS 50+.

Para saber mais sobre o que mudará nas regras de foto-proteção indico o site do próprio FDA e este artigo da Dra. Cynthia Bailey, que explica os principais pontos das novas regas.

Fator de Proteção Solar UV-A - PPD/ PA:

Para compreender melhor estes termos, o método utilizado no Japão para identificar o grau de proteção UV-A de um produto é usado a sigla PA seguido de cruzes ou sinais positivos. Tal metodologia é considerava confiável porque os testes são feitos tanto in vitro quanto in vivo. Desta forma, o filtro deverá mostras os seguintes graus de proteção UV-A:

*PA + = baixa proteção UV-A

*PA++ = média proteção UV-A

*PA+++ = alta proteção UV-A

Na Europa (e aqui no Brasil), encontramos filtros com a metodologia européia PPD, que vem assinalada com graus numéricos de proteção. Estes valores se baseiam que o grau de proteção UVA-A (PPD) tenha 1/3 do seu fator de proteção UV-B  (FPS). Assim, um filtro FPS 30 deve ter um PPD 10. Você pode encontrar este método em filtros filtros como Anthelios, da La Roche Posay e Capital Soleil, da Vichy. Mas, infelizmente, essas informações não são estampadas no rótulo:

Filtro_solar_la_roche_posay

No Brasil algumas empresas adotam os dois métodos. A empresa Ada Tina é uma delas que usa tanto PPD quanto PA na bulas dos seus produtos:

Images_product_adatina-009597

Mas, qual seria o PPD de um filtro asiático? Bom, um método preciso não dá para saber, mas eu poderia me basear por esta tabela:

*PA+ = PPD 2-4

*PA++ =PPD 4-8

*PA +++ = PPD superior a 8 (8+)

Avaliando desta forma, pode assustar os consumidores, pois um filtro UV-A melhor indicado deveria seguir o padrão europeu e ter um PPD, no mínimo, 10. Mas veja, um filtro com PA+++ tem fator de proteção UV-A superior a 8, ou seja, ele poderia ter tanto PPD 10 quanto um PPD 20. Mesmo, lembre-se, um filtro como Anthelios FPS 60/ PPD 34 seria comercializado desta forma no Japão: Anthelios SPF 50+/ PA +++. Observe um exemplo do Anthelios japonês (com menção do PA e não o PPD):

An

E agora, um filtro típico japonês, Sofina White, na embalagem vem informando tanto o SPF e PA:

Sofina_perfect_uv_white_protect_review

Tanto o método PPD europeu quanto o PA japonês são seguros, mas não há um único critério de avaliação que prevaleça. Depende muito da agencia reguladora de cada país. Na Austrália, por exemplo,  é um método diferente desses dois que comentei.

Eficiência e aplicação:

Tão importante quanto avaliar o PPD de filtro, é aplicar a quantidade correta para não interferir na proteção indicada. E acredite isso não ocorre freqüentemente.  A quantidade sugerida pelo FDA é de 2,0 mg por centímetro quadrado. Abaixo disso, interfere na proteção sugerida no rótulo. Esta metodologia é usada para medir o grau de foto proteção de todos os produtos:

“... A eficácia de um protetor solar é medida em função de seu fator de proteção solar (FPS), o qual indica quantas vezes o tempo de exposição ao sol, sem o risco de eritema, pode ser aumentado com o uso do protetor. Uma vez que, o FPS é definido em função do aparecimento do eritema, este parâmetro avalia a apenas a proteção frente à radiação UVB.... para o cálculo do FPS aplica-se 2 mg/cm2 de filtro solar e calcula-se a dose de radiação solar requerida para promover a dose eritematosa mínima  (DEM, a queimadura em sí) na pele protegida e a dose eritematosa mínina que promove na pele desprotegida.” (fonte: aqui e aqui)

Ou seja, por meio destes cálculos que se chega no fator de proteção solar do produto e são estas informações que você observa na bula do seu filtro solar. Portanto, o benefício do protetor solar só é conseguido seguindo esta instrução.

Mas o que acontece se eu aplicar uma quantidade inferior? Bom, suponhamos que você aplique metade da quantidade sugerida – 1,0 mg/ cm2 - de um filtro com FPS 30. Você está reduzindo a proteção do produto para um ínfimo FPS 5,5. Assustador, não? O dermatologista Sergio Schalka em sua tese de mestrado publicada em 2009 (aqui em PDF) verificou em testes físicos que a aplicação inadequada de filtro solar reduz drasticamente o valor sugerido na bula.
Abaixo uma tabela retirada do site Beautknot mostrando a diferença de FPS e quantidades de aplicação:
Sunscreen-amount
Ainda noo mesmo estudo do Dr. Schalka, verificou-se que usuários aplicam entre 0,39 mg a 1,03 mg por centímetro quadrado, uma quantidade inferior da recomendada pelo FDA. Em vista disso, a Sociedade Brasileira de Dermatologia concluiu que, mesmo com campanhas de prevenção e uso de filtro solar, o índice de câncer de pele continua aumentandoo:

"O câncer de pele deveria estar em extinção porque basicamente só possui uma causa - a radiação ultravioleta -, e o protetor solar é um método absolutamente eficaz para evitá-la", explica Omar Lupi, presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). "Porém, as pessoas não sabem utilizá-lo. E assim o câncer de pele se tornou o de maior incidência no país e o que mais cresceu na última década". (fonte)

Os filtros asiáticos seguem a mesma recomendação do método padronizada pelo FDA na aplicação: 2,0 mg/ cm2. É muito comum encontrar a indicação em centímetros de diâmetro nos sites e embalagens dos filtros - você já leu isso na bula dos eu filto nacional? -. Neste caso, eles usam o tamanho de uma moeda de 10 ienes – similar uma moeda de 10 centavos - para visualizar melhor a quantidade:

Meddiafiltrofacepescolo

Tá, mas como eu aplico isso na prática? Bom, você poderia dividir cerca de seis colheres de chá para o corpo todo: uma para o tronco, uma para as costas, uma para cada perna, ½ colher para cada braço e ½ colher para o rosto. Isso equivale uma xícara de café para o corpo todo. É muito filtro solar!!!!

Para o rosto/ orelhas, o indicado é uma colher de café cheia.

Para rosto e pescoço, seria uma colher de chá.

Eu acho muito difícil alguém ficar calculando isso, mas por via das dúvidas, tenha certeza que o filtro está visível na pele na hora de aplicar. Depois, ele é absorvido melhor e se acentua com a pele.

Ademais, filtro não é hidratante: você não passa uma pouca quantidade e espalha bastante até secar. O produto não é barato, mas não faça porca miséria ao passar no rosto. Filtro deve criar um filme protetor homogênea sobre a pele. Evite, inclusive, esfregar demais para não degradar alguns ingredientes. Se uma bisnaga de 30 ml você leva em média, 4 meses para consumir. Provavelmente você está usando uma equação inferior. Não adianta pagar caro por um filtro bom se você reduz sua eficiência na hora de aplicar.

Por isso eu indico sempre filtros com FPS alto, pois se o usuário aplicar uma quantidade inferior, corre menos risco de errar do FPS dele que usando um fator mais baixo. Mas, confesso, usando filtros vendidos por aqui, fica complicando aplicar uma grande quantidade no rosto. Dá uma sensação terrível na pele. Talvez seja este um dos maiores motivos que eu troquei meus filtros ocidentais pelos orientais: você consegue aplicar uma grande quantidade e a pele consegue ficar ainda melhor.

E com relação à reaplicação do produto?

Esta dúvida eu não posso responder no momento, em vista que eu – até agora – não li uma recomendação sequer de reaplicar filtro solar em resenhas ou sites de produtos asiáticos. Será que, usando camadas e camadas de produtos, eles conseguem reaplicar? Seria bem complicado. Mas eu sugiro algumas dicas:

- Filtros com grande concentração de ingredientes inorgânicos (óxido de zinco e dióxido de titânio) criam uma barreira física que não se degradam com a exposição solar ou são absorvidos pela pele. Neste caso, se você não retirar o produto fisicamente, ele continua agindo. Recomendaria uma outra aplicação no meio do dia para o uso diário. Talvez sem precisar usar a mesma quantidade sugerida pelo FDA para não criar uma película mais pesada sobre a pele. Eu utilizo bastante produto na primeira aplicação e uma parte média na segunda.

- Alguns fatores podem reduzir a concentração do produto na pele: suor excessivo, atrito, esfregar muito a pele com lenços ou toalha e, claro, imersão prolongada na água. Nests caso, o recomendado é aconselhável reaplicar.

- A exposição prolongada ao sol pode desestabilizar o índice de proteção. Sugiro filtros tanto com óxido de zinco quanto Tinosorb M, pois conferem amplo aspecto UV-A e UV-B,  excelente foto-estabilidade  e cobertura de raios UV-B e UV-A curtos e longos. Fora esses dois filtros, que você poderia ter apenas mais uma aplicação, eu manteria um protocolo de reaplicar o produto após 4 horas da primeira aplicação (uso urbano) e 2 horas (exposição prolongada em praias, piscinas, montanhas...)

Possívesi dúvidas eu procurarei pesquisar mais para responder. Mas o artigo fica aberto para novas questões e revisões.