29 Nov 2011

Clareadores Japoneses - Parte I

Não tem como falar dos tratamentos de beleza asiáticos sem comentar dos clareadores. É praticamente regra entre os cuidados de skincares deles usar produtos com ingredientes que vão agir contra a hiperpigmentação e uniformizar o tom de pele. De loções, essence (serum), emulsões, filtros, maquiagem, sempre encontra um ingrediente clareador. E quem pensa que se restringe apenas as mulheres, há linhas específicas masculinas com algum “whitening” no rótulo.

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Mas será que isso ocorre porque eles abusam do sol? Exatamente o oposto. Se aqui tratamentos clareadores são indicados após o surgimento de manchas, no Japão são usados como preventivo e você percebe que até as adolescentes com a pele intacta usam clareadores na pele.

Um dos diagnósticos para isso é que a pele asiática é reativa a pigmentações, e embora clara, se assemelha com peles mais escuras: são propensas a manchas inflamatórias após traumas, queimaduras, cortes e a cicatrização em conseqüência desses ferimentos pode gerar áreas fibrosas como quelóides. Outro fator é que o surgimento de melasmas, devido às variações hormonais, são características genéticas de peles asiáticas e hispânicas.

Basta ressaltar que os asiáticos primeiro se preocupam com a prevenção e tratamento de manchas escuras e depois com o envelhecimento da pele e por isso produtos bihaku – um conceito de beleza que significa “branco bonito” e é usado para denominar produtos com agentes clareadores - são os carros-chefes nas linhas de beleza. Mas faz sentido essa preocupação: manchas de pele contribuem esteticamente para uma aparência mais envelhecida que as próprias rugas em si. E para manter a pele clara e lisa, o “branco perfeito”, como as gueixas vale de tudo: sombrinhas, luvas, roupas compridas, evitar o sol a pino e até pílulas que inibem a melanina.

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Só que fique bem claro é que nada disso é para “branquear” a pele a lá Michael Jackson, ou seja, alterar o tom de pele natural. É uma questão cultural, contrapondo, por exemplo, aqui no Brasil onde ter a pele bronzeada é status de beleza. Os asiáticos até gostam de uma pele bronzeada, mas quando é uniforme e bem cuidada. O ideal de pele saudável é uma pele sem manchas, delicada e com brilho radiante – ocorre principalmente porque eles não receiam por produtos que dão aspecto úmido-hidratado. Logo, é justificável que para conseguir este ideal, proteger-se do sol é fundamental, além do uso de clareadores e hidratantes, basta dizer que usar um produto bihaku no Japão seria como para os ocidentais usar um anti-aging.

Só que devido a esta diferença cultural no Brasil, a busca por clareamento de pele está entre as principais queixas nos consultórios dermatológicos aqui no país. Mas sem o apelo de ter a pele branca, apenas para ficar livre de manchas escuras e tom de pele irregular.  Porém, o problema já começa na infância, porque é a exposição solar na juventude que desencadeia as primeiras manchas de pele. Se quando criança, as sardas dão um aspecto “atraente” e digno de comercial de TV, quando chega à maioridade, vira um pesadelo.

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A exposição solar é o principal fator na produção de manchas escuras, sardas e manchas de sol. E como é justamente a exposição nos primeiros vinte anos de vida é que vão somar para o tempo restante, praticamente para evitar manchas ao longo da idade o paciente teria que usar filtro solar desde muito cedo – acredito que as gerações seguintes terão menos problemas assim, pois observo que crianças e jovens já fazem uso de proteção solar diária. Segundo a Dra. Leslie Baumann em seu livro "Pele Saudável", estudos mostram que crianças que usam filtro solar desenvolvem menos sardas.

Também é na juventude que se inicia as mudanças hormonais: a pele começa a produzir mais óleo que leva a um quadro de acne. Acne é um diagnostico de inflamação na pele e pode desencadear o desenvolvimento de pigmentações no local da erupção, com isso, surgem manchas avermelhadas ou acastanhadas. E como se não bastasse, entre os 20 e 30 anos, é a fase onde se inicia tratamentos anticoncepcionais e a gravidez, ocorrendo o aumento dos níveis de estrogênio. Desta forma, os melanócitos começam a produzir mais melanina e geram manchas acastanhadas circulares que surgem ao redor dos olhos, bochechas e queixo.  Então poderíamos falar de três tipos de manchas:

- Manchas solares: decorrente da exposição solar ao longo dos anos, sem proteção solar adequada, que estimulam os melanócitos (ex: lentigo solar, efélides (sardas), melanose solar (senis), melasma. Enquanto que algumas manchas, como as sardas, podem ser tratadas da melhor forma e controladas, os lentigos e melanoses tendem a piorar com a idade. Proteção solar é a chave para a prevenção, mas quando há manchas, cabe usar inibidores da síntese de melanina e remoção das manchas. A Dra Denise Steiner corrobora que:

“Para que ocorra inibição da atividade global do melanócito, é importante evitar radiação solar e utilizar filtro solar, sistêmico e tópico diariamente, várias vezes ao dia. Está comprovado que a radiação solar induz a melanogenese aumentando o número total de melanócitos, melanossomas e melanina. A área pigmentada escurece mais do que a área normal devido a hiperatividade do melanócito local.”

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- Alteração Pigmentar Pós-Inflamatória: surgem após traumas, ferimentos, picados de insetos, cortes e inflamações na pele. Manter a barreira de proteção da pele sempre fortalecida – ou seja, usar hidratantes -, evitar ingredientes alérgenos e prevenir contra irritações e inflamações – em peles acnéicas, uso de antibióticos controlados e anti-inflamatórios - são armas para evitar tais manchas que se confundem com cicatrizes. 

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- Manchas decorrentes do aumento de níveis hormonais (ex: melasmas e cloamas). O uso diário de filtros solares, cremes clareadores e evitar tomar contraceptivos e reposição hormonal, pois aumenta a pigmentação da pele. O lado positivo é que tende a reduzir quando a produção de hormônios diminui na menopausa. Enquanto que a melasma está também associada a fatores genéticos e ambientais, o cloasma é mancha típica de gravidez.

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Ademais, outra dermatologista, a Dra. Baumann descreve que este problema é típico de peles sensíveis e pigmentadas, revelando que o primeiro fator é que torna a pele mais propensa às reações alérgicas, situação agravante de hiperpigmentações:

“A inflamação é causada pelo aumento da presença de células brancas e vermelhas do sangue, que migram para o local onde ocorre um dano para ajudar na recuperação. Espinhas queimaduras, picadas de inseto, sangramentos, erupções e reações alérgicas são os eventos mais comuns, mas qualquer tipo de inflamação, mesmo uma concentração de sangue no local de um corte, pode desencadear a formação de manchas marrons. Qualquer fonte de calor exterior ao corpo também pode aumentar a inflamação em sem interior.”

E comenta, por exemplo, que climas quentes, queimaduras, excesso de calor, saunas, depilação com cera quente, peelings químicos fortes, até mesmo alisamento de cabelo podem gerar inflamações e manchas decorrentes.

O consolo é que cada vez mais a indústria cosmética está pesquisando e desenvolvimentos novos agentes despigmentantes. E não poderia mais uma vez destacar o Japão como pioneira neste ponto: arbutin e ácido kójico, dois despigmentantes muito usados em cosméticos no Brasil, são de origem nipônica e comercializados há tempo. Mas comentarei em outro post sobre cada um desses ingredientes e outros. Aguardem!