Clareadores Japoneses – Parte V

13 dez

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Para entender melhor quais os objetivos de um clareador japonês, consultei o site da Ratzilla Cosme e ele sugere que um produto desta natureza é indicado para tratar e prevenir transtornos hiperpigmentares como melasma, sardas, manchas solares e inflamatórias; prevenir bronzeados e iluminar o tom da pele. E confirma o que eu citei na primeira parte desta série de postagem: não tem efeito “branqueador” na pele, ou seja, não vai tornar ninguém mais claro que a sua aparência natural.

Os colaterais descritos em algumas pesquisas que eu tenho lido sobre clareadores ocorrem muito em faixa de pessoas com a pele escura que deseja obter um toma mais claro. Assim, usam concentrações elevadas, por tempos indeterminados e adesão de produtos químicos como chumbo e mercúrio para destruir os melanócitos. 

O único ingrediente que tem efeito clareador irreversível é a monobenzona (monobenzyl ether of hydroquinone) uma hidroquinona usada para tratamento de vitiligo universal, pois simplesmente “mata” a melanina da pele. Não convém falar deste despigmentante porque foge do tema e não quero dar margem para alguém achar que possa ser a solução definitiva para aquela mancha chata que não sai por nada!

Na ânsia de manter a pele sempre clara e livre de manchas, além da aplicação de injeções com ácido tranexâmico, descobri que alguns asiáticos também se tomam pílulas com glutationa e vitamina C. Glutationa é um aminoácido antioxidante usado em suplementos para melhorar as funções do fígado; melhoras as defesas do organismo e previne infecções. É usada em indicações para esportes onde o corpo precisa de bastante resistência e evitar baixa imunidade.

O efeito clareador da glutationa eu não encontrei nada bem embasado, mas sugere que ela inverte o metabolismo da melanina, transformando o pigmento escuro e tornando mais claro, controlando a melonogenêse. Em outras palavras: ela inibe atividade da tirosinase e transferência de melanócito para os queratinócitos. Mas isso como outros agentes clareadores já descritos aqui como o uso tópico.

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Nenhum estudo relevante eu observei que esta substãncia em suplementação dietética fosse possível reverter o quadro de hiperpigmentação e até mesmo um efeito “branqueador” da pele – sim, há um marketing nisso também! A vitamina C possui efeito semelhante e nem por isso a ingestão dela vai ocorrer o mesmo processo. Sugere-se tomar de 10 a 20 mg por peso associado ao dobro em dosagem de ácido ascórbico, por, no mínimo, 3 meses. Tenho minhas dúvidas, mas não entrei muito a fundo nesta pesquisa, no máximo, acredito que possa ocorrer melhora na pele devido ao efeito antioxidante, como tomar chá verde.

Bom, concluindo esta resenha, comentarei de outros clareadores usados no mercado, vamos a eles:

- Ácido kójico (5-hidroxi-2-[hidroximetil]-4-pirona): assim como o arbutin, o kójico surgiu no final da década de 80 como uma alternativa natural para a hidroquinona. É obtido pelo processo de fermentação de uma bebida típica japonesa à base de arroz, o saquê. Ele seria, na verdade, um fungo aspergillus que se desenvolve em diversos tipos de cogumelos, como o koji (usado na fabricação do saquê). Seu grau de atuação ocorre por inibição da enzima tirosinase, devido à quelante do átomos de cobre.

Concentrações de 1 a 2% são usadas em cosméticos, com certo grau de irritação – sim, há divergências que ele não causa irritação como a hidroquinona, o que não quer dizer que não seja irritativo – mas com baixa fotossensibilidade – pode ser utilizado em cosméticos diurnos com segurança – além de ter efeito anti-inflamatório e antioxidante.

A Dra Baumann informa em seu livro “Cosmetic Dermatology” que dermatites de contato são associadas ao uso deste ácido, sugerindo o uso de 1% como padrão e concentrações acima de 2,5% com maior risco de desenvolver dermatite facial. Ela sugere tratamentos de 1 a 2 meses com esta substancia. Enquanto que no site Futurederm, é sugerido o tratamento em ciclos com a hidroquinona: kójico por 4 semanas/ hidroquinona por 4 semanas.

O grau de clareamento do ácido kójico é inferior a hidroquinona 2%, mas semelhante ou superior ao arbutin, por isso outras substâncias clareadoras são usadas em combinação com ele: arbutin, o ácido glicólico e, até mesmo, a hidroquinona, para tornar o tratamento mais eficaz. A Dra. Baumann informa que estudos comparados com ácido kójico e glicólico mostrou-se mais efetivo que a combinação de glicólico com hidroquinona apenas. Mas enfatiza que uma fórmula contendo ácido glicólico 10%, hidroquinona 2% e ácido kójico 2% mostrou-se superior no tratamento de melasmas.

Por ser tão fotoestável quanto à hidroquinona, torna-se mais seguro preferir formulações industriais que manipulados. Há o uso de um derivado, o ácido kójico depalmitado (kojic dipalmitate), mais estável, porém menos eficaz como clareador segundo este artigo. Porém a empresa japonesa Kosé conseguiu melhor estabilidade do ácido kójico e disponibiliza numa linha especial, que indicarei na seção de produtos.

Uma curiosidade: assim como as nossas avós indicavam passar sumo do limão para clarear manchas de sol (não façam isso!!), no Japão alguns podem usar o saquê para clarear manchas no corpo. Não por menos eu achei até desodorante com ácido kójico para clarear manchas nas axilas e rol-on para manchas nas pernas.

No Japão, entre 2003 e 2005, o Ministério da Saúde e Bem-Estar que regulariza os “quasi drug” – seria algo como o FDA (EUA) ou Anvisa (BR) – estudou a possibilidade do ácido kójico ter potencial cancerígeno, mas foi considerado depois como um ingrediente segura para uso.

Em testes feitos em camundongos, verificou-se que o ácido kójico usado em aditivo alimentar indicava potencial tumorgênico no fígado. Mas, em novos estudos, in vitro e in vivo, usando concentrações 3,0% de ácido kójico não apresentaram resultados de mutações no DNA, sendo assim, concluiu-se que risco do ácido kójico para exercer ação cancerígena é bastante baixo na pele: “Nenhuns nódulos cutâneos foram observados em peles de animais devido ao tratamento com ácido kójico, portanto, ele é considerado por não iniciar qualquer atividade de ação carcerinogênese na pele. Por meio dessas conclusões, o ácido kójico é praticamente seguro como um ingrediente “quasi drug” clareador.”

- Produtos:

*Whitelogist EW Concentration Spots, Cosme Decorte (Kosé): essence (serum) com ácido kójico EW, mais estabilizado e que permite a pele receber o ingrediente profundamente em cápsulas, por uma tecnologia de “íons”:

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*Albion Ignis Concentrate Whitening:

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*Narcissus Total Defense, Naruko: uma linha voltada para hidratação, anti-idade e clareamento da pele: 

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- No Brasil:

*NeoStrata Pigment Lightening Gel 10 AHA: 2% de ácido kójico e 10% de ácido glicólico.

* Pigmnet Control – Biomedic: 2% de Ácido Kójico 2%, 10% de Ácido Glicólico e 0,4% de LHA.

* Melani D – La Roche Posay: Ácido Kójico, Lha e Mexoryl XL.

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*A Linha D4 (Melora), Klassis (Theraskin) e Clarité (Dermage) são outros produtos, já indicados no post anterior, que levam ácido kójico.

- Licorice (alcaçuz): o ingrediente ativo glabridin (glycyrrhiza glabra) é extraído da raiz de alcaçuz. Usado topicamente para tratar eczemas e dermatites na pele, o extrato tem ação também despigmentante, pois inibe a atividade da tirosinase. Em concentrações tópicas de 0,5% mostraram-se favoráveis para inibir a hiperpigmentação decorrente dos raios UVB e tem boa prescrição para o tratamento de melasmas e manchas decorrentes de processos inflamatórios, com efeito similar a hidroquinona.

A Dra. Baumann informa que estudos em animais mostrou que licorice tem ação anti-cancerígena e supressão de tumores na pele. Outra particularidade do licorice é o composto licochalcone, ingrediente com propriedade anti-inflamatória que o torna eficaz para o tratamento de rosácea e ação anti-acne. Para melhor compreensão dos ínumeros efeitos de extratos de licorice na pele indico este estudo.

A linha de produtos Kosé Sekkisei Supreme contém Dipotassium Glycyrrhizate, extrato retirado da licorice com propriedades anti-inflamatórias e  clareadora, indicada para o tratamento de peles sensíveis e com tendência á formação de hiperpigmentação decorrentes da radiação solar e agentes inflamatórios. Neste artigo, por exemplo, verificam-se algumas propriedades do dipotassium glycyrrhizate, entre os já citados, teria desempenho na manutenção de ácido hialurônico na pele, melhorando os níveis de hidratação:

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*Linha Primal White, Infinity (Kosé): conta com arbutin, vitamica C glicosilada e licorice para tratamento e prevenção de manchas:

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Kosé Sekkisei é outra linha que contém Dipotassium Glycyrrhizate além de 2% Glucoside Ascorbyl (vitamina C derivada, visto aqui) para melhorar clareamento da pele:

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A Sofina tem uma essence (sérum) com este clareador e o extrato de camomila que já comentei também aqui: Sofina Whitening Bihaku Essence

 

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Breve farei uma resenha deste sérum clareador!

Um ambiente geral de outras substâncias whitening:

- Flavanóides: são polifenoídes encontrados em várias classes de vegetais, frutas e flores. Além de propriedades antioxidantes, muitos flavanóides também atuam no processo de melanogênese (aqui). Eu poderia citar alguns desses que são usados em clareadores no Japão: Aloesin: ingrediente derivado do aloe vera que inibe a produção de melanina por supressão da tirosinase. Seu efeito clareador se potencializa quando combinado em sinergia com arbutin (fonte)

Ácido elágico (ellagic acid): polifenol encontrado em plantas como gerânios, eucaliptos, chá verde e morangos, inibe a produção de melanina decorrente da exposição solar com efeito semelhante ao ácido kójico: quelante dos átomos de cobre. Concentrações indicadas para tratamento de distúrbios hiperpigmentares de 0,5% são prescritas com bons resultados e sem efeito reação citóxica (fonte).

- Adenosina (Adenosine 5′-triphosphate): embora não atue diretamente na supressão da tirosinase, ele previne o acúmulo de pigmento devido ao processo de renovação celular, levando à excreção da melanina da pele. Favorece o rejuvenescimento da pele. Concentrações de 0,3% de adenosina são associadas com outros clareadores para potencializar o efeito despigmentantes em tratamentos de melasmas e outras manchas escuras na pele.

- Ácido linoléico ou alfa-linolênico (Linoleic acid): ácido graxo insaturado retirados de óleos botânicos como de cártamo, age inibindo a melanina por ação degradativa da tirosinase. Possui também ação esfoliativa e renovadora celular e formulas lipossomadas com 0,1% de ácido linoléico são prescritas para o tratamento de melasmas e outras manchas ocasionadas pela exposição solar.

- Rucinol (4-n-butylresorcinol): derivado do resorcinol, inibe a produção de melanina e em concentrações de 0,1 a 0,3% mostraram-se favoráveis no tratamento de melasmas.

- Extrato de amora (mulberry extract): extratos e raízes de amoreira oriental são usados como agentes antioxidantes e despigmentantes. Atua na inibição da enzima tirosinase e prescrição tópicas com 0,4% deste extrato mostra ação semelhante ao ácido kójico no tratamento de manchas cutâneas.

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*Produtos: Whitefficient Whitening (Shu Uemura) Marjoram and Lavender Brightening (Naruto) com ácido elágico; linha Skin79 co adenosina e arbutin e Whitissimo White Shot W (Pola) com rucinol.

- Niacinamida: já dediquei um post completo sobre este ativo da vitamina B3, onde comentei suas propriedades anti-inflamatórias, antioxidante e clareadora. Diferente de todos os agentes despigmentantes citados aqui, a niacinamida atua como inibidor da transferência de melanossomos para a epiderme. Concentração entre 3,5 a 5% mostram melhores resultados na prevenção de manchas principalmente quanto combinados com outros agentes clareadores.

- Extrato de Soja (soybean): encontrado em leguminosas, como ervilhas, é outro agente que atua na inibição da transferência de melanossomos. É prescrito com a finalidade de prevenção de manchas por exposição solar e uniformidade da pele (fonte). Não é um clareador típico japonês e pdoe ser encontrado nos produtos da linha Roc.

- Ácido azeláico (azelaic acid): conhecido também como ácido dióico ou dicarboxilico e extraído de grãos de centeio, trigo e cevada, atua como inibidor da produção de malanócitos hiperativos por competir com a enzima tirosinase. Assim como o licorice, o ácido azeláico interfere na síntese do DNA dos melanócitos e mutações nas células, prevenindo cancerogênese. Alguns estudos apontam que o ácido azeláico a 20% exerce melhor efeito clareador comparado com hidroquinona a 4%, sem representar riscos de alergias e ocronose como este último. Tendo boa aceitação para peles escuras que são mais problemáticas com o uso de hidroquinona.

O ácido azelaico, embora tenha boa aceitação em todos os tipos de pele, não é comercializado em cosméticos, apenas como prescrição médica entre 15 a 20%.  Pode ser encontrado no produto Azelan gel 15% e azelan creme 20%. Particularmente eu gosto do azelaico e utilizo em combinação com tretinoina para tratamento anti-idade, pois ele tem um efeito moderado de renovação celular e antioxidante. Por ser um agente bactericida e anti-inflamatório, vem sendo prescrito em terapias contra acne e para pacientes com rosácea. 

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*Produtos: White Reviving Skin Radiance Solution (Skin79) e Total Effects 7 in one (Olay) com niacinamida; Soya Unify (Roc) com extrato de soya e Azelan Cream (Intendis) com ácido azeláico.

Eis uma lista de muitos – não todos, fica impossível citar todos!! – de substâncias com ação inibidora da tirosinase/ transferência de melanócitos para os queratinócitos. Eu poderia citar, mas futuramente, Idebenona, Glutationa, Melawhite, entre outros, mas ficaria uma Bíblia. Para facilitar, inclui todos numa tabela mais assimilada. 

Sabendo utilizar cada um deles em terapias isoladas e combinadas, conhecendo seus benefícios e possíveis colaterais – lembrando que o grau de irritação pode depender do tipo de pele de cada um – confere um bom resultado a médio e longo prazo. Não adianta querer “apagar” o tempo de exposição solar que você teve por anos em algumas semanas. O uso diário de um controlador da enzima tirosinase ajuda a reduzir ou bloquear a produção de melanina.

O ideal é cada paciente, conforme a necessidade tipo de mancha, observar qual ingrediente responder melhor ao tratamento.

Paralelo ao tratamento com clareadores, você pode usar alpha hidroxiácidos como glicólico e láctico para aprimorar o tratamento. Eles não vão agir como um clareador comum, porém, como agem nas camadas superiores da pele, removendo-as de forma gradativa, de modo que este efeito ocasione a descamação das células dos queratinócitos pigmentadas. 

Em estudos mais recentes o efeito desses ácidos parece também atuar na inibição da tirosinase. O tratamento mais pertinente é usá-los com um agente despigmentante padrão. Os benefícios são bem maiores, obviamente, quando feito em peeling químicos de concentrações elevadas para descamação parcial das manchas.

O ácido retinóico é outro componente que desacelara a produção de manchas, embora também não seja considerado um agente despigmentante – eu vejo muitos usando-a apenas com essa função e acaba esperando demais como clareador. Ele diminui a transferência de melanossomos para os queratinócitos e dispersa as células epidérmicas pigmentadas, ocasionado assim, um tom mais uniforme da pele.

O efeito renovador também reduz a proliferação acelerada de melanina no estrato córneo. Tanto os AHAs, BHAs (ácido salicílico) quanto os retinóides facilitam a penetração de outros agentes de tratamento e resultados superiores são verificados quando o ácido retinóico é combinado com hidroquinona ou azeláico para tratamento de manchas solares do que o uso de tretinóina isolada. Concentrações de tretinoina 0,05% a 0,1% são usados para tratamento para a inibição de  transferência de melanossomos, enquanto que para a versão sentética adapaleno resultados similares são vistos com concentrações entre 0,1 e 0,3% com redução de efeitos colaterais.

*Produtos: Resist Clearly Remarkable Skin Lightening (Paula’s Choice) com BHA e hidroquinona; Resist Remarkable Skin Lightening (Paula’s Choice) com AHA e hidroquinona; Diacnéal (Avène) com retinaldeido e AHA; Retinage Plus (Theraskin) com niacinamida, AHA e retinaldeido; Glyquin XM (Valeant) com hidroquinona e AHA;

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Finalizando este trabalho, tomei a liberdade de adaptar a tabela de clareadores destacada neste artigo e, assim, facilitar a pesquisa dos leitores na hora de escolher um produtos whitening:

Tabela1

Agora é aproveitar para tirar melhor proveito desses ingredienets para prevenção de manchas. Particularmente eu já tenho alguns na minha wishlist: ácido tranexâmico, licorice, niacinamida, magnolignan, kójico, extrato de camomila e azeláico, que se mostraram mais indicados para atuação em inflamações provenienets tanto da radiação solar quanto de outros agentes externos.

E você, tem algum clareador preferido? Conte-me melhor!

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53 Respostas to “Clareadores Japoneses – Parte V”

  1. Flá 2 de julho de 2013 at 3:47 #

    Nando, vc prefere o Melani D da La Roche ou Clarifiant da Roc? Obrigada.

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  1. Hadabisei Moisturizing Facial Mask Brightening | Vanity Pills - 7 de março de 2014

    […] com Ascorbyl glucoside,  derivado de Vitamina C que pode ajudar na prevenção de hipercromias e “iluminar” a […]

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