Minha experiência com o Laser Light Sheer Duet

2 ago

Eu nunca gostei de ter barba, não pela estética, mas pela cuidado com a pele. Como eu uso protetor solar todos os dias, em grandes camadas, quando eu fico um ou dois dias sem me barbear, os pelos (após a reforma ortográfico, o acento diferencial de pêlo caiu) atrapalham a aplicação, principalmente porque eu faço uso de filtro físico, deixando os pelos levemente esbranquiçados.

Meus pelos são grossos, rentes e o uso diário com lâmina de barbear machuca a minha pele, criando pequenas feridas e ocasionando inflamações, como foliculites. Eu mantenho alguns cuidados, como o uso de esfoliantes químicos ou físicos para reduzir a queratinização, que dificulta a saída dos pelos à superfície.

Mantenho o hábito de barbear só após a limpeza facial, pois deixa a pele mais suave e amolecem os pelos Por favor, se você, rapaz, que alega não ter tempo de se barbear em casa e deixa para fazer isso no banheiro do trabalho, tenho o hábito de higienizar a pele de forma correta para evitar contaminações e use produtos para amaciar os pelos ao invés daquele sabonete líquido exposto na pia.

Eu uso loções com ação anti-inflamatória e pomadas com antibiótico quando há foco de infecção. E minha dermato sugeriu trocar de lâmina todos os dias, mas eu esterilizo após cada barbear e faço a troca de 4 a 5 dias.

No mês passado, a Folha de São Paulo publicou uma matéria com o dermatologista Jeffrey Benabio, onde ele diz que fazer a barba todos os dias “aniquila a pele”, mas outra especialista, a dra. Denise Steiner, diz que homens com pelos finos e retos podem fazer a barba todos os dias e aqueles com pelos grossos e encaracolados, com tendência ao encravamento, sofrem mais problemas no barbear diário, recomendando espaçar as sessões ou o uso de terapia com laser para enfraquecer os pelos.

No início deste ano eu ganhei de presente de aniversário um pacote de depilação a laser – sim, meus amigos queridos me dão presentes assim, ganho de filtros solares a cremes para os olhos! – e, claro, fiquei radiante. Já tinha feito algumas pesquisas de preços e os valores não combinavam com o meu orçamento.

Algumas clínicas de estética e centros dermatológico cobram, em média, 300 a 500 reais por sessão, dependendo do tipo de aparelho. E as sessões são cobradas por áreas, no caso da barba completa, há clínicas que cobram como duas ou três sessões. Ou seja, para um tratamento com resultados mais satisfatórios, são necessários acima de 5 sessões completas. Não é um tratamento barato.

Mas ai entram os pacotes promocionais dos sites de compras coletivas, que chegam a oferecer 20 sessões com 80% de descontos. É uma economia absurda.  A Sociedade Brasileira de Dermatologia não observa com bons olhos a proliferação de promoções deste tipo. Há determinados protocolos para seguir, como ter um profissional capacitado (aqui explica melhor), respeitar o tipo de pele do paciente (peles negras, propensas a queloides, devem ter cautela; peles bronzeadas não podem passar pelo procedimento; peles fototipos I, com pelos claros também não respondem bem ao tratamento…), a densidade da energia deve ser o suficiente para atingir o tecido alvo ( densidade baixa pode ocasionar resultados ineficientes; altas, acarretar lesões..), entre outras recomendações que você precisa se informar na hora de procurar o tratamento.

Atente para as informações corretas, pois eu recebo muitas promoções de depilação a laser, mas que na verdade, são com Luz Intensa Pulsada. Embora tenham a mesma indicação e ambas atinjam a raiz dos pelos, onde o calor causa lesão parcial ou definitiva dos folículos pilosos. Mas há distinções: o laser tem ação concentrada  e atua em apenas um comprimento de onda enquanto que a Luz Intensa Pulsada tem ação difusa e atua em todos os comprimentos de onda. Em termos de resultados, parecem semelhantes, embora a depilação com Luz Intensa Pulsada necessita de um maior número de sessões e tem um custo menor.

Neste estudo comparativo, “houve menor dor e incidência de efeitos colaterais com o uso do Laser de diodo em comparação à luz intensa pulsada, e eficácia semelhante entre as duas técnicas”. Mas os pacientes foram avaliados na depilação das axilas, então, não me serviu como parâmetro para analisar na área da barba.

Como atua: “destruição térmica seletiva de um alvo específico constituído pelas células germinativas do folículo piloso. Como a melanina é o principal cromóforo dos folículos pilosos, comprimentos de onda de luz entre 600-1100nm podem ser utilizados para fototermólise seletiva dos mesmos com eficácia e segurança.

A dra. Denise Steiner corrobra que:

“Para atingir a raiz do folículo piloso (escuro) o laser tem que atravessar as camadas mais superficiais da pele. E, nesse trajeto, ele pode ter afinidade por outras estruturas pigmentadas (escuras), como é o caso da célula da pigmentação, denominada melanócito e que produz a melanina.

Por isso, é mais difícil a depilação definitiva em paciente de pele morena ou negra. Em contrapartida, quanto mais contraste houver entre a pele (branca) e o pelo (escuro), melhor será o resultado geral da depilação. Peles muito claras, com pelos grossos e escuros, apresentam resultados mais satisfatórios com a depilação a laser.”

Eu fiquei bastante animado por ter pele clara (fototipo III) e pelos grossos e escuro e após algumas pesquisas, conclui que para depilação da barba, o laser de diodo, em especial o Light Sheer Duet, da Lumenis, pareceu-me mais promissor. O laser de diodo possui comprimento de onda entre 800-810 nanômetros, que o torna excelente para atingir o cromóforo alvo (melanina) do folículo piloso.

O aparelho Light Sheer até 20098 era a versão AT e tinha apenas uma “ponteira” (handpiece) com 9mm x 9 mm de comprimento. A sua ação era bastante reduzida, dolorosa e demorada. Em áreas menores como buço e axilas, era mais eficaz, mas para depilação das pernas demandava muito tempo. A nova versão, Duet, ganhou uma nova ponteira com 22m x 35 mm, que aumentou a extensão do disparo, cobrindo áreas maiores e redução do tempo de aplicação.

Outro porém é o mecanismo de vácuo que “suga” a pele e permite um feixe menor de energia como um método menos dolorido. A repetição dos disparos tornaram-se mais rápidas. Assim, o tratamento, por exemplo, nas pernas que antes durava 60 minutos fora reduzido em quase 67% do tempo. Para saber mais e ver vídeos sobre o aparelho, acesse a pagina em português da empresa.

A primeira coisa que eu fiz foi marcar uma visita para conhecer a clinica de estética, o aparelho usado e conversar com o profissional responsável. Como fiz o meu “dever de casa”, eu banquei o leigo para saber se me informariam corretamente ou tentariam me ludibriar. A conversa seguiu as expectativas e o aparelho era o Light Sheer. Porém, confesso que não me senti seguro em iniciar um tratamento com laser numa clínica que não fosse dermatológica.  A responsável era uma fisioterapeuta, mas, segundo ela, não havia um dermatologista que prestasse assistência. E também não existia nenhum preparo precedente no tratamento, como o uso de compressas de gelo ou aparelho de criôgenio em spray para resfriar a epiderme e evitar futuros edemas. Por fim, respondi a um questionário e fui informado que crostículas e manchas escuras poderiam ocorrer após o tratamento e persistir por 1 ou 2 semanas.

Dor? Imagina… um aparelho que precisa, no mínimo, chegar a 60º para atingir a raiz do pelo, aquecer e destruí-lo. Ainda assim, marquei a minha primeira sessão.

Como faço uso e ácidos, eu suspendi 5 dias antes da primeira sessão e na véspera, fiz a barba com lâmina, pois é indicado não ir com os pelos crescidos. Alguns especialistas sugerem o uso de pomada anestésica para amenizar o desconforto, mas fui informado que deveria ir com a pele sem nada. Na sala, a responsável fez a assepsia com álcool e usei os óculos de proteção.

- O tratamento, ou seria, medo, agonia e suplício:

A primeira coisa que eu penso: dor!! A antiga ponteira, menor, é terrível, eu não sei descrever se é como um choque, um fósforo sendo apagado na pele ou uma pistola de grampos, mas é uma dor e pronto! Nas matérias e informes afirmam que é uma “dor suportável”, “desconfortável” ou “menor que com depilação com cera”. É uma dor medonha. Só é “suportável” porque dura pouquíssimo tempo. Vai depender muito da sensibilidade da pele, da potência usada e área depilada (virilha, buço e queixo são as mais sensíveis).

A primeira parte foi executada com a ponteira maior, pois ela adere nas áreas com mais pele, como pescoço e bochechas. A dor foi menor, mas não menos incômoda pela ação de “sugar” a pele pelo vácuo do aparelho. Cada emissão de som eu torcia para acabar. Claro que a fisioterapeuta iniciou com a ponteira maior só para evitar de correr da cadeira. Quando ela comentou que usaria a ponteira menor nas áreas que a anterior não conseguia cobrir, como queixo, buço e contorno da face, eu pensei: “ferrou”. E vi estrelas em cada disparo.

Durou menos que 5 minutos, mas o suficiente para sair da sala com o rosto quente, ardendo demais, parecia que tinha enfiado o mesmo num vespeiro. E um odor desagradável de pelo queimado subindo pelas narinas.

Fui ao banheiro já abrindo a mochila e tirei meu “kit-socorro”: pomada com calamina e filtro solar. Nesta clinica não tinha assistência para o pós-laser, outro fator negativo (além de não ter um cuidado pré-laser com gelo). Eu levei tudo de casa, princialmente por que as minhas sessões foram marcadas ao meio-dia, então, em pleno verão de Janeiro, eu não iria me expor ao sol com a pele naquele estado.

Coberto com uma grossa camada de creme e filtro físico, em poucos minutos eu estava mofando num ponto de ônibus esperando minha condução. Passei 35 minutos no ponto e mais 45 para chegar em casa. Agradeço ao meu santo protetor asiático por proteger imediatamente a minha pele.  Em casa, a pele estava intacta, nada do vermelho ou desconforto - que perdurou por 40 minutos após a sessão.

Fiquei mais dois dias sem me barbear e não percebi nenhum colateral. Ledo engano. Quando me barbeei pela primeira vez, a lâmina, nova, não parecia cortar os pelos. Ela ia falhando, parecia lâmina velha. Muitos pelos encravados e o rosto com várias manchas avermelhadas. Alguns folículos pareciam entupidos, volumosos. Ainda não dava para verificar o resultado em termos de depilação, pois isso só ocorre semanas depois, quando o pelo é expelido. Abaixo, a primeira impressão:

Fique ciente que não ocorre depilação definitiva na primeira aplicação, melhor dizendo, o pelo não é arrancado durante o ato como uma depilação convencional. Os bulbos são destruídos aos poucos e alguns são apenas danificados, porque o laser só atua nos pelos em crescimentos e os que estão em repouso serão eliminados na próxima consulta Desta forma a necessidade de sessões regulares mensais para observar os resultados.

No dia seguinte, a área depilada estava tomada de inflamações, pontos de foliculites. O barbear estava difícil e continuei usando uma pomada anti-inflamatória sobre a área. Retornei aos meus ácidos 5 dias após a depilação. Em média, as manchas e crostas duraram 1 a 2 semanas e a foliculite é bem controlada com gel de clindamicina. Sol? Não precisa avisar que deve ser evitado e sempre com proteção, pois a sua pele estará muito sensível.

Minha pele reagiu com todos os colaterais previstos, e a cada sessão, é sempre a mesmo agonia durante e depois. Informo que não é um tipo de tratamento que você se acostuma, pelo contrário, como a potência de emissão de luz é aumentada aos poucos, cada sessão torna-se mais suplicante; os dias seguintes, piores. Não é de espantar que eu conversei com rapazes que desistiram após a quinta sessão, porque é uma etapa que costuma-se usar a ponteira menor para extinguir de vez os pelos remanescentes.

Mais uma para a “galeria do terror”, em várias situações – com sério risco de ir parar no “Shame on you, blogueira!”. Acho que dá para notar a redução de pelos, as falhas, e as “ecas”:

Produtos que eu uso para melhorar o estado da pele: Bepantol Derma Solução, Aqualabel White Lotion, além de clindamicina (Clindoxyl) e Desonida (laboratório Medley). A Desonida tem excelente textura, pois é uma pomada que não confere oleosidade à pele, e sua ação anti-inflamatória e anti-alérgica tem indicação para dermatites atópicas, dermatite alérgica, dermatite de contato e como pós-sol e pós-depilatório para evitar eritemas.

- Sobre os resultados:

Só passei a ver algum na segunda sessão, mesmo assim eram pequenas falhas em algumas áreas. Na quarta sessão, dava para perceber “buracos” ou “inhos de rato” na área. Por isso, se você pensa em iniciar um tratamento assim, fique ciente que a sua barba vai apresentar falhas e é melhor prosseguir até o final.  Leia o que diz na matéria da Folha de São Paulo:

“O laser destrói primeiro os pelos mais fracos, por isso fazer poucas sessões só é recomendável para quem não tem planos de deixar a barba crescer”, afirma Carolina Marçon, dermatologista membro da Academia Americana de Dermatologia.

Concordo. Se antes eu fazia barba apenas por ser mais cômodo na hora de cuidar da pele, agora é por necessidade mesmo. Qualquer crescimento, mesmo aquele cerrado, deixa um visual estranho devido aos buracos. E olhares estranhos para a sua barba se tornarão corriqueiros. Esta foto – que não sou eu – mostra como a barba fica, cheio de “falhas”:

Ainda na quarta sessão, notei os pelos mais finos ao barbear, mas nada muito satisfatório. Há uma resistência enorme nos meus pelos do buço e queixo, o que me desanima, pois são áreas mais doloridas para o tratamento. Sem contar que há áreas que tenho a impressão que os pelos voltaram em locais antes “devastados”.

Na semana passada fiz a sétima sessão, muito intensa e dolorosa, acho que a responsável se apiedou de mim e resolveu exterminar para valer. Passei da metade do tratamento e tenho uns 50% de resultado. Outros rapazes, que eu esbarro na sala de espera, estão com 80% de extensão sem pelos, com 5 sessões apenas. Então, cada tratamento, uma sentença.

Eu faço o acompanhamento de tudo, observo a minha ficha para saber se estão mantendo ou aumentando a potência. Para quem prefere a Luz Pulsada, é bom acompanhar a frequência, pois fluências baixas podem estimular o crescimento ao invés de extingui-lo.

Afirmar que é uma depilação definitiva seria uma falácia, pois leva a acreditar que será para sempre. Há a destruição do folículo, mas decorrente da própria natureza, não tem como impedir o nascimento de novos pelos. Rapazes que malham e fazem uso de precursores de testosteronas podem ter o retorno dos pelos. Assim, após a conclusão do tratamento, é necessário fazer manutenção anual, para reduzir possíveis folículos imaturos que irão surgir na pele.

Inerente ao me testemunho, vejo pessoas que aprovaram a depilação com laser como método satisfatório. Ainda tenho mais três etapas para concluir o meu plano e, supostamente, devo precisar de mais outras sessões para ter êxito.

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131 Respostas to “Minha experiência com o Laser Light Sheer Duet”

  1. Patricia 23 de abril de 2014 at 15:25 #

    Olá Nando, sou estudante de Estética e achei seu blog muito legal e interessante. Gostaria de passar algumas informações que as vezes as pessoas omitem para não perder os clientes. Segundo a ANVISA os procedimentos com laser devem ser administrados apenas por médicos, nenhum outro tipo de profissional está capacitado a operar os aparelhos, e o de diodo (que vc usou) é o mais aconselhado, se regulado corretamente; Para cada atendimento o aparelho precisa que a frequencia seja regulada corretamente, conforme o tom da pele e do pelo; O laser tem melhores resultados em pele clara e pelo escuro, pois o laser é atraído pela melanina; Geralmente esse tipo de tratamento não se faz no verão, ainda mais quando é feito no rosto, pois o perigo de causar queimaduras e melasmas é muito maior; e por fim o tratamento não é definitivo, ele não mata o foliculo piloso, ela retarda a fase de crescimento do pelo, vc vai precisar fazer a tal “manutenção” cerca de 1 ano depois né?! Então, isso acontece pq ela não é definitiva, nenhum tratamento para remoção de pelos é definitivo ainda. Bom, achei interessante passar essas informações depois que li seu post e os comnetários. Como eu disse anteriormente o procedimento so pode ser realizado por médicos, eu tbm nao posso realizar, mas como profissional da área tenho conhecimento sobre muitos procedimentos e quem é capacitado ou não de realizá-los e acho legal, depois de ler seu post e os comentários, dividir com vocês essas informações pois tem muita gente achando que pode fazer tudo e deixando os clientes lesados. Gente, por favor tomem cuidado com o local onde vcs vao fazer esses tratamentos, as consequencias sao definitivas, manchas causadas pelo laser nao tem como remover… não custa nada se informar primeiro, procurar outras clinicas que façam o mesmo procedimento para fazer uma comparação,e desconfiem dos valores baixos, laser custa caro, o aparelho é caro, a manutenção é cara e o profissional PRECISA ser especializado, então, não tem como ser barato. Beijinhos :)

    • Nando Goober 26 de abril de 2014 at 13:06 #

      Oi, tudo bem?

      Obrigado por suas informações.. qual curso que vc faz? Tbm sou estudante d estética.

      Bj

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